Senadores de oposição anunciam novo pedido de afastamento após divulgação de informações da investigação sobre a relação do ministro do STF com Daniel Vorcaro
Senadores de oposição intensificaram, nesta terça-feira (1º), a pressão pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de novas informações relacionadas à investigação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Apesar da mobilização, parlamentares da própria oposição reconhecem que, neste momento, há pouca perspectiva de avanço do processo no Senado. O principal obstáculo apontado é a posição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que, segundo relatos de aliados, não demonstraria intenção de dar andamento aos pedidos de impeachment.
🔎 O que apontam as novas informações
Entre os elementos divulgados nesta terça-feira está um relatório da Polícia Federal, segundo o qual Vorcaro teria enviado uma mensagem a Moraes perguntando se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro do ano passado.
Também veio a público a informação de que Moraes teria participado de alterações em um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
As informações fazem parte de uma investigação e, por si só, não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal ou administrativa do ministro.
🏛️ Oposição anuncia novas medidas
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou um novo pedido de impeachment contra Moraes. Segundo o Partido Novo, já existem 53 pedidos de afastamento do ministro protocolados no Senado.
Além do pedido de impeachment, parlamentares da oposição afirmaram que apresentaram:
- uma queixa-crime contra Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR);
- um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando investigação;
- pedido para que o governo avalie o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues;
- novas medidas junto à PGR.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também defendeu publicamente a renúncia de Moraes ao STF e cobrou que o Senado dê início ao processo de impeachment.
“É uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal.”
🔥 Pressão deve chegar às eleições
Parte da oposição discute ampliar a mobilização no Senado e levar o tema às manifestações previstas para 7 de Setembro.
A avaliação de parlamentares de diferentes grupos é de que as revelações podem aumentar a tensão política durante o período eleitoral. O assunto também deve ser explorado nas campanhas para a Presidência da República e para o Senado.
Do lado governista, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a oposição estaria utilizando as novas informações para impulsionar uma pauta que já defendia anteriormente: o impeachment de Moraes.
Ao mesmo tempo, a senadora reconheceu que as suspeitas envolvendo o caso são graves, mas defendeu que o Senado mantenha a agenda de votações prevista para esta semana.
📌 Resistência no comando do Senado
Segundo relatos atribuídos a aliados de Alcolumbre, não houve mudança na posição do presidente do Senado em relação aos pedidos contra Moraes. A avaliação é de que um eventual processo de impeachment dificilmente avançaria antes das eleições.
O cenário, portanto, coloca a oposição diante de um desafio: mesmo com o anúncio de novos pedidos e o aumento da pressão pública, o andamento de um processo depende da condução política do Senado e da existência de apoio suficiente entre os parlamentares.
Importante: as acusações e suspeitas mencionadas no caso estão relacionadas a investigações e declarações de parlamentares. Até que haja conclusões das autoridades competentes ou decisões judiciais, elas não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.